Como usar o tempo par
O tempo par é a única ferramenta do treino a seco que te contradiz. É justamente por isso que escolher o número importa mais do que qualquer outra coisa.
O que é um tempo par
Um cronômetro par faz dois sons. O primeiro é o sinal de início. O segundo vem depois de um intervalo fixo — o par — e marca o prazo. A sua tarefa é terminar o movimento antes do segundo sinal.
É esse o mecanismo inteiro, e ele é poderoso por uma razão: tira a sua opinião do resultado. Ou o disparo quebrou antes do sinal, ou não quebrou.
Escolhendo o primeiro tempo par
O número que as pessoas escolhem é aquele que gostariam de conseguir. Esse é o número errado.
Escolha um par que você acerta cerca de oito em dez vezes. Não dois em dez, e não dez em dez.
- Generoso demais e nada muda — você definiu um prazo que já ia bater de qualquer forma.
- Apertado demais e você começa a fazer o que for preciso para vencer o som. É daí que vem o gatilho batido, e é um vício genuinamente difícil de tirar depois de instalado.
Se você não faz ideia de por onde começar, pegue o par sugerido em qualquer página de exercício e ajuste depois de uma série.
A regra da repetição limpa
Uma repetição só conta se as duas coisas forem verdade:
- O disparo quebrou antes do sinal par.
- A mira ainda estava no ponto de pontaria quando quebrou.
A segunda condição é a que some silenciosamente, normalmente logo depois de o par ser encurtado. Um tempo que veio com a massa de mira metade fora do alvo não é uma repetição mais rápida — é um movimento diferente e pior que por acaso leva menos tempo.
Pontue com honestidade. Se você não consegue dizer onde a mira estava na quebra, não contou.
Quando encurtar
Dez repetições limpas seguidas, aí tire 0,1 s.
Não cinco. Não "hoje pareceu bom". Dez consecutivas, as duas condições cumpridas. Então baixe o par um décimo e espere falhar por um tempo — é essa a cara do progresso na borda.
Se você não voltar a oito em dez dentro de duas ou três sessões, se mexeu cedo demais. Devolva o décimo de segundo. Isso não custa nada, e custa muito passar um mês treinando um movimento que está se desmanchando.
O que o tempo par não faz
Um tempo par mede o movimento inteiro, do sinal ao disparo. Ele não consegue dizer onde o tempo foi. Se o seu saque é lento, o par diz que é lento, mas não se o problema é a pegada no coldre, o caminho até a extensão ou a hesitação na mira.
Para isso, divida o movimento e cronometre as metades separadamente: sinal até a pegada completa, depois pegada até o disparo. Trabalhe a metade pior e junte de novo. É a coisa mais útil que você pode fazer quando um exercício empaca.
Splits: a camada seguinte
Assim que você passa a dar mais de um disparo, o tempo par deixa de ser o número interessante e o split — o intervalo entre disparos consecutivos — assume. Splits expõem pegada e controle do recuo de um jeito que um único disparo cronometrado nunca vai expor.
Um cronômetro par não consegue te dar splits; ele não sabe quando você disparou. Isso exige um cronômetro que ouça o próprio disparo, e é aí que um celular com microfone se torna genuinamente útil.
Um método semanal simples
- Escolha um exercício e um tempo par para a semana.
- Faça cinco séries de cinco, pontuando só as repetições limpas.
- Anote o número de repetições limpas. Essa é a sua métrica da semana.
- Só encurte o par quando a regra das dez seguidas for cumprida.
- Refaça a medição uma vez por mês nas mesmas condições.
O plano de treino a seco de 7 dias é esse método disposto dia a dia, terminando com uma sessão de medição que você pode repetir.